Mostrando postagens com marcador ano novo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ano novo. Mostrar todas as postagens

10 janeiro 2016

Quero ir pra escola!

Tive vontade de saber como seria frequentar uma escola do tempo da minha avó. Ela me contou que ainda pequena saía de casa e era deixada em uma escola com crianças da mesma faixa etária. Os mais velhos ficavam em outra instituição. Mas a geração dela foi a última a ir para uma escola. A partir da sua irmã, que nasceu dois anos depois, os recém-nascidos passaram a receber toda informação e aprendizado escolar em arquivos compactados inseridos no sistema nervoso por meio de chips. Os responsáveis pela criança ficavam encarregados de ir liberando as informações de acordo com a programação do sistema de ensino.
Desde que minha avó me contou que saía de casa para ir a uma escola fiquei imaginando como seria isso. Ela disse que as crianças eram distribuídas em várias salas e que havia pessoas adultas que transmitiam todas as informações escolares. Eram professoras e professores que sabiam mais que as crianças e ensinavam vários assuntos, da matemática às línguas faladas na época. Eram muitas crianças em cada sala, que nos intervalos do ensino saíam para brincar em um pátio interno. Depois voltavam para a sala para continuar o aprendizado.
Ela passava na escola mais da metade do dia. Ia de manhã cedinho e retornava no final da tarde, cheia de histórias para contar. Conhecia muitos meninos e muitas meninas e com eles às vezes fazia passeios fora da cidade. Alguns desses colegas minha avó conservou como amigos pelo resto de sua vida e, com certeza, eles também contam suas experiências para seus netos.
Se eu fosse para uma escola ia querer conversar com o adulto que ensina as crianças. Ele ou ela deve ter bastante conhecimento para transmitir. Minha avó disse que o melhor de tudo era brincar com os colegas. Ela só conversava com o professor se fosse necessário. Ela lembra que eles eram rigorosos com a disciplina e não gostavam muito de conversar com as crianças se não fosse sobre o assunto tratado no ensino.
Naquele momento minha mãe me alertou que estava na hora de eu me concentrar na nova carga de informações que seriam liberadas. Era minha escola e eu tinha que esquecer um pouco o sonho de frequentar uma instituição como as de minha avó.

31 dezembro 2013

Ano Novo

Havia fogos coloridos para todo lado. Algumas pessoas se machucavam, mas todos se divertiam. Com essa prática, as pessoas da maioria dos países festejavam a passagem de um ano para outro. Meu avô me contou que esses fogos já eram usados, em relação à época de seus pais, há mais de dois mil anos, em festas na China.
Foram sendo modificados em outros países, com a descoberta de novas combinações químicas para aumentar o efeito de luzes e som. Até que foram proibidos por conterem agentes poluidores do meio ambiente, além de causarem uma série de acidentes. Os fogos de artifícios do tempo dos pais dos meus avós, segundo me contaram, aumentavam a emissão de gás carbônico na atmosfera, liberavam substâncias tóxicas, provocavam incêndios, alteravam a rotina de muitos animais por causa da intensidade do som.
Meus avós se lembram ainda de festas com fogos de artifício do tempo em que eram crianças. Eles eram usados em festas folclóricas, nas passagens de ano, em festas de família e muitas outras ocasiões. Perguntei se continuaram e como faziam os festejos depois que os fogos foram proibidos. Eles disseram que havia projeções holográficas de cores e luzes, com som, que eram melhores de noite e principalmente em noites nubladas. No início, o som que acompanhava as luzes imitava o barulho dos fogos de artifício, até ser substituído por músicas.
Hoje, na passagem de ano, depois que cheguei da escola, meus avós me contaram que naquele tempo essas datas eram feriados. Não se trabalhava, nem se estudava, nada. Aliás, feriado é outra coisa que foi abolida com o passar dos anos e séculos. Hoje todo dia é dia de se fazer tudo. A gente descansa durante o dia, trabalha e estuda, mas não existe um dia para não fazer nada. Festejamos as datas importantes sem deixar de fazer o que fazemos todos os dias. O calendário foi preservado na forma que existia no tempo dos avós dos meus avós, mas o último dia do ano e o primeiro do outro não têm distinção. São dias como são todos os outros dias, porque temos muito que fazer para manter a vida.